História
O SURGIMENTO DA DIFUSORA
Não fosse a argúcia e a obstinação do pesquisador Raimundo Soares de Brito, o Raibrito,
seria quase impossível escrever a história da Difusora. Foi de seus apontamentos,
tão bem guardados em sua hemeroteca, que passamos a descrever, agora, o nascimento
desta emissora.
Em 2 de março de 1947, escreveu Raibrito, era fundada aqui na cidade
a “Sociedade Difusora Mossoroense”, com o fim de dotar essa cidade
de uma estação de radiodifusão.
Na mesma data, o jornal O Mossoroense trazia a seguinte matéria: “A Difusora será
fundada hoje no Pax”. Eis o texto:
"Realizar-se-á às 9h da manhã de hoje, no Cine Pax, a sessão preparatória para a
fundação da Difusora Mossoroense S/A, entidade constituída por pessoas de evidência
nos círculos comerciais, com a louvável finalidade de dotar o nosso meio com uma
estação de rádio. Na mesma reunião será proclamada uma diretoria provisória, sendo
acertadas as bases para a constituição do capital que integrará a Difusora Mossoroense.
Ao que estamos informados, está em via de aquisição por parte dos idealizadores
da nossa estação de rádio, um transmissor RCA – BTL-IL para 1.00 watts, constituindo
este, também, um dos grandes assuntos a serem tratados na reunião da manhã de hoje."
Esse foi o primeiro passo para a criação da Rádio Difusora de Mossoró.
O mesmo O Mossoroense publicava, em sua edição de 12 de fevereiro de 1950, a matéria
sobre a chegada da aparelhagem da Rádio Difusora de Mossoró, chamando, ainda, a
atenção do leitor para a possibilidade de a emissora entrar no ar, em fase experimental,
no mês seguinte, no caso em março.
Eis a matéria:
"Já se encontra nesta cidade aparelhagem do Broadcasting das Rádio Difusora
de Mossoró, a emissora local destinada a atuar em ondas médias e com a potência
efetiva na antena de um quilo watt a par, com uma equipe de freqüência modulada
para a realização de quaisquer irradiações externas. Referida aparelhagem foi adquirida
em concorrência na Rádio Phillips do Brasil, possibilitando à Rádio Difusora de
Mossoró, que funcionará na freqüência de 1.370 quilociclos, um raio de cobertura
de igual potência das rádios Borborema e Poti, respectivamente de Campina Grande
e Natal, capaz de ser ouvida em todos os Estados do Nordeste.
Dispõe ainda a emissora local, que possivelmente estará no ar, em fase experimental
nos primeiros dias de março vindouro, um sistema de torres auto-sustentável que
representa, hoje em dia, uma das maiores conquistas nos domínios da radiodifusão.
OS TRABALHOS DO ESTÚDIO – Estão sendo acelerados os trabalhos do
estúdio da Rádio Difusora de Mossoró, à rua 6 de janeiro. Seus diretores atuais
não têm encarado sacrifícios no que possa concernir em dotar a cidade de uma emissora
à altura desejada. Esta foi a impressão que tivemos quando em dias da semana visitamos
aquela emissora, onde se desdobram seus dirigentes numa eloqüente demonstração de
trabalho."
Os dias que antecederam a inauguração da Rádio Difusora de Mossoró foram de muita
ansiedade. Para abrilhantar a inauguração, que aconteceu no dia 7 de setembro de
1950, um grande show fora marcado para as 20h.
Cinco dias antes da inauguração, no caso em 3 de setembro de 1950, o jornal O Mossoroense
trazia a seguinte matéria:
“A Rádio Difusora de Mossoró será inaugurada quinta-feira:
A partir das oito horas a emissora estará no ar
Os principais elementos artísticos da terra tomarão parte de um grande show às vinte
horas.
Um marcante acontecimento, de marcante projeção para a vida da cidade será, sem
dúvida, a inauguração da Rádio Difusora de Mossoró, marcada para o próximo dia 7
de setembro.
Ao que colheu a nossa reportagem, constituindo uma das mais expressivas comemorações
ao Dia da Independência do Brasil, a ZYI 20 – Rádio Difusora de Mossoró iniciará
nesse dia suas atividades no BROADCASTING nacional, com a apresentação de um amplo
programa, constante do seguinte:
8h - Ato inaugural com benção de suas instalações e preleção alusiva
pelo reverendo D. João Costa, Bispo da Diocese de Mossoró.
20h - Grande show em que tomarão parte vários elementos de seu
cast artístico, dentre os quais Manoel de Sousa Queiroz, Dalva Stella Freire,
Josué de Oliveira, Dayse de Melo Pinheiro, Maria Neusa Freire, Maria Aparecidade,
Maria Laura da Silva, a jazz e conjunto regional da emissora.
Durante todo o dia estará no ar a ZYI 20, com um programa de estúdio patrocinado
por várias firmas do nosso comércio”.
Assim, em 7 de setembro de 1950, seria inaugurada a Rádio Difusora
de Mossoró, marca pioneira na cidade chancelada por seus fundadores, sendo eles
PAULO GUTEMBERG, MILTON NOGUEIRA DO MONTE e JOSÉ RENATO COSTA.
Sobre o show de inauguração, especificamente, o professor da Universidade do Estado
do Rio Grande do Norte (UERN) e presidente do Instituto Cultural do Oeste Potiguar
(ICOP), Wilson Bezerra de Moura, escreveu em 25 de agosto de 1998, em sua coluna
“Reminiscências”, o seguinte:
“Ainda sobre a inauguração da Rádio Difusora de Mossoró, ocorrida em 7 de setembro
de 1950, em meio à grande festa, terminando com um show às 20h, com artistas da
terra, cujos nomes já mencionamos em artigo anterior.
Retornamos ao assunto, porquanto algumas dessas figuras envolvidas nesse ato solene
merecem ser lembradas porque fizeram parte de uma história que passou e que muito
dignificou a cidade, por suas participações na vida empresarial, política e social.
Perante um público bastante seleto, as bênçãos do transmissor localizado no alongamento
da Avenida Cunha da Mota, bairro Pereiros, o bispo de Mossoró, dom João Batista
Portocarrero Costa, proferiu o ato cerimonial. Estiveram presentes os deputados
Vicente da Mota Neto e Mário Negócio, o primeiro da representação federal e o segundo
estadual, com acentuada atuação no Estado e, principalmente, em Mossoró, além do
vereador Jerônimo Vingt Rosado Maia; juiz da comarca de Mossoró, dr. Zacarias Gurgel
da Cunha; médico João Marcelino de Oliveira; banqueiro Sebastião Fernandes Gurgel,
que dominou o comércio creditício da cidade de Mossoró, com sua Casa Bancária S.
Gurgel, sucedendo-o nessa atividade o seu filho Raimundo Gurgel, conhecido por todos
como Bibio Gurgel.
Ainda presente o industrial Raimundo Juvino de Oliveira, professor Vingt-un Rosado,
presidente da Rádio Difusora de Mossoró e representante do prefeito na solenidade,
e Lauro da Escóssia, diretor do jornal O Mossoroense, foi destaque no momento. Registrou-se
na ocasião as presenças dos empresários Renato de Araújo Costa e Pedro Fernandes
Ribeiro, além do dr. Paulo Gutemberg de Noronha Costa, superintendente da emissora.
O dr. Paulo Gutemberg foi uma figura notável no mundo intelectual, com a participação
nas atividades culturais da cidade. Um grande jornalista, um bom advogado, um homem
de letras era o Paulo Gutemberg.
Foi orador oficial o professor Vingt-un Rosado, que naquela época já era considerado
um batalhador da cultura mossoroense. Em sua oratória ele assim se expressou de
início: “O governador da cidade confiou ao diretor-presidente da Rádio Difusora
de Mossoró S/A a incumbência honrosa de representa-lo nas festividades desta hora."
Mais adiante fez referência a determinadas figuras notáveis com a seguinte expressão:
“Haveremos de precisar as forças que se compuseram para os limites da crônica simples
de uma sociedade, para a história maior do município. Entre esses nomes Jorge de
Albuquerque Pinto, Bruno Nogueira, Genildo Miranda, José Monte, Luiz Gonzaga, Garibaldi
Noronha, Tiburtino Costa, Orlando Cosme e Francisco Nunes, estes confirmaram a tradição
explêndida do espírito da iniciativa mossoroense."
Dentre tantas, foram estas as palavras do professor Vingt-un Rosado, completando
a sua alusão a nomes, referiu-se à comissão responsável pelo levantamento do capital
de quatrocentos mil cruzeiros para formação da sociedade, cuja comissão era composta
de Jorge Pinto, Dix-huit Rosado, Bruno Nogueira, e José Monte, disse afinal de contas
que a responsabilidade recaiu decerto na diretoria da sociedade, nas pessoas dos
senhores Pedro Fernandes Ribeiro, Reginaldo Paiva, João Rebouças e Enéas da Silva
Negreiros.
Então, há
61
anos passados, registrou-se esse acontecimento que teve compensado o esforço com
a atuação da ZYI 20 até nossos dias (...).